- Lucas Freire
- 28 de mai.
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Por Elielson Almeida, jornalista e membro da Pororoka
Sob aplausos, abraços e lágrimas, a ativista paraense Beatriz Moreira de Oliveira desembarcou em Belém, na manhã desta quinta-feira (28), após dias de tensão vividos durante uma missão humanitária internacional rumo à Faixa de Gaza. Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Beatriz fazia parte da Flotilha Global Sumud, iniciativa formada por ativistas de diversos países que levava medicamentos, alimentos e suprimentos para a população palestina.
A chegada da ativista mobilizou familiares, amigos, movimentos sociais e organizações populares no aeroporto da capital paraense.
“Hoje volto para casa, com as bênçãos de Nazinha. E muitos de nós que participaram dessa missão, que foi a maior missão humanitária com caráter plural para romper o cerco ilegal imposto sobre a Palestina, voltamos para casa também”, declarou.
O reencontro aconteceu após a embarcação em que Beatriz estava ser interceptada por forças israelenses no Mar Mediterrâneo no dia 18 de maio. A ativista chegou a ficar 48 horas incomunicável.
A flotilha era formada por cerca de 50 embarcações e aproximadamente 480 participantes de diferentes nacionalidades. O grupo seguia em direção à Faixa de Gaza em uma ação humanitária internacional voltada principalmente ao atendimento de crianças palestinas afetadas pela guerra.
A interceptação ocorreu em águas internacionais, a cerca de 250 milhas náuticas da costa de Gaza. Ainda de acordo com os participantes, a flotilha passou por dois processos de interceptação durante o trajeto, um inicial em águas italianas e outro já próximo ao território palestino.

Beatriz Moreira atua em movimentos populares ligados à defesa dos territórios amazônicos e dos direitos humanos. Durante a chegada ao aeroporto, ela afirmou que o retorno ao Brasil não encerra a mobilização em defesa da Palestina.
Ela chamou atenção para a situação de palestinos mantidos sob custódia e para os impactos humanitários da guerra em Gaza.
“A luta não pode parar, porque há muitos de nós que ainda estão sob custódia. Só na Palestina histórica, nós temos cerca de 9 mil e 500 pessoas presas. Dessas, 400 são crianças. Então, agora que a gente desembarca em casa, é a hora que o trabalho de verdade começa”, afirmou.
O conflito na Faixa de Gaza se intensificou a partir de outubro de 2023 e provocou uma grave crise humanitária na região. Organizações internacionais apontam dificuldades no acesso da população a alimentos, água, medicamentos e atendimento médico, especialmente entre crianças.
Diretor nacional do MAB, Yuri Paulino afirmou que a missão tinha como foco principal a ajuda humanitária para crianças palestinas.
“A missão levava alimentos, medicamentos e materiais escolares para atender famílias que estão vivendo uma situação muito grave em Gaza. Hoje, inclusive, um grupo de crianças veio receber a Beatriz aqui no aeroporto porque isso representa também a luta em defesa das crianças palestinas”, disse.
Yuri também afirmou que participantes da missão relataram situações de violência e maus-tratos durante a interceptação das embarcações.
A emoção tomou conta do reencontro entre Beatriz e os movimentos sociais que acompanharam sua chegada. Militante do MAB e amiga da ativista, Anna Mathis relatou o alívio após os dias sem notícias. “É uma mistura de sentimentos. Enquanto militante do MAB, é um orgulho ter uma companheira tão dedicada à construção de uma sociedade mais justa e de solidariedade internacional. Mas também, enquanto amiga da Bia, existe um orgulho pessoal de ver ela levando a luta da Amazônia para o mundo”, afirmou.
“Foram 48 horas sem notícias da Bia. Ver ela chegando bem fisicamente e emocionalmente é um alívio muito grande”, completou.

A coordenadora da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Eunice Guedes, também acompanhou a chegada da ativista no aeroporto e destacou o simbolismo da participação de Beatriz na missão internacional.
“É muita emoção. Porque é uma companheira amazônica que representa a gente numa luta internacional por justiça, contra a barbárie e contra o genocídio. A Bia nos representou muito bem. Ela representou todas nós”, declarou.
A Flotilha Global Sumud foi organizada para denunciar a crise humanitária em Gaza e ampliar a mobilização internacional em apoio à população palestina. Após o retorno da ativista ao Brasil, movimentos sociais seguem cobrando posicionamentos diplomáticos e ações internacionais voltadas à proteção dos participantes da missão.








