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    Lucas Freire
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

Por Elielson Almeida, jornalista e membro da Pororoka


Por muitos anos, a mandioca ocupou um lugar central na vida dos povos indígenas do Oiapoque. Dela saíam a farinha que alimentava as famílias, o tucupi, a goma, as bebidas tradicionais e parte da renda das comunidades. Era durante os mutirões de plantio, colheita e produção da farinha que histórias e ensinamentos eram repassados.


Nos últimos anos, esse ciclo começou a se romper. Uma doença conhecida como Vassoura de Bruxa se espalhou pelas roças, reduziu drasticamente a produção de mandioca e passou a comprometer muito mais do que a segurança alimentar das aldeias. 


Ao atingir a principal cultura agrícola dos povos indígenas do Oiapoque, o fungo também ameaça práticas culturais, formas de organização comunitária e a transmissão de conhecimentos.


O aumento na incidência da Vassoura de Bruxa nas roças e plantações prejudica a soberania alimentar e o modo de vida das comunidades tradicionais do Oiapoque. Foto: Adilson Lima/Embrapa-AP
O aumento na incidência da Vassoura de Bruxa nas roças e plantações prejudica a soberania alimentar e o modo de vida das comunidades tradicionais do Oiapoque. Foto: Adilson Lima/Embrapa-AP

Como uma doença atravessou as roças


A Vassoura de Bruxa é uma doença provocada por um fungo que ataca a mandioca. Nas plantas contaminadas, os brotos passam a crescer de forma desordenada, formando emaranhados que deram nome à doença. Com o avanço da infecção, as raízes apodrecem, a produção diminui e, em muitos casos, a planta morre antes mesmo da colheita.


O que mais preocupa as comunidades indígenas, porém, não é apenas a capacidade do fungo de destruir uma lavoura, mas também a velocidade com que ele se espalhou. A disseminação levou o Ministério da Agricultura a decretar emergência fitossanitária nos estados do Pará e Amapá e criar um programa nacional para tentar conter o avanço da praga.


O fungo pode ser transportado pelo vento, por ferramentas utilizadas nas roças e, principalmente, por manivas contaminadas, tornando difícil interromper sua circulação entre diferentes áreas de cultivo.


Para quem vive da mandioca, essa combinação entre alta capacidade de disseminação e ausência de uma solução definitiva transformou a Vassoura de Bruxa em uma das maiores ameaças já enfrentadas pelas comunidades da região.


Quando as embarcações voltaram vazias


Durante anos, embarcações cruzaram diariamente os rios levando sacas de farinha produzidas pelas comunidades indígenas. Era um fluxo constante, que ajudava a abastecer o município do Oiapoque e comunidades na costa da Guiana Francesa A atividade movimentava cooperativas de transporte e garantia parte da renda das famílias. Aos poucos, porém, a carga foi diminuindo. Depois, praticamente desapareceu.


Quem acompanhou essa transformação de perto foi o vice-cacique da Aldeia Manga, Geovane Santos. Além de liderança indígena, ele trabalha em uma cooperativa que leva pessoas e produtos. Foi ali, observando o que deixava de embarcar, que Geovane percebeu a dimensão do problema. O dinheiro deixou de circular na mesma intensidade, o trabalho diminuiu e um alimento que sempre simbolizou autonomia passou a escassear justamente onde nunca havia faltado.


O Vice-Cacique Geovane Santos Karipuna, da aldeia Manga, viu os efeitos da Vassoura de Bruxa se espalhando para além das plantações, afetando também o transporte das produções, que ficou cada vez mais escasso. Foto: Elielson Almeida
O Vice-Cacique Geovane Santos Karipuna, da aldeia Manga, viu os efeitos da Vassoura de Bruxa se espalhando para além das plantações, afetando também o transporte das produções, que ficou cada vez mais escasso. Foto: Elielson Almeida

"Antes da Vassoura de Bruxa, a gente transportava mais ou menos 20 sacas de farinha por dia. Hoje não chega uma saca sequer. A gente percebeu essa queda de produção e isso impactou não só o transporte da farinha, mas de outros produtos das comunidades".


Uma ameaça invisível


Segundo as lideranças indígenas, quando a Vassoura de Bruxa começou a atingir as roças do Oiapoque, as comunidades ainda acreditavam que se tratava de um problema localizado. Pouco tempo depois, passaram a ouvir relatos semelhantes vindos de outras aldeias separadas por centenas de quilômetros, algumas acessíveis apenas por avião ou longas viagens de barco. A doença seguia aparecendo em lugares sem qualquer ligação aparente entre si.


Para a cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), essa é justamente a dimensão mais preocupante da crise. A Vassoura de Bruxa avança de forma silenciosa e continua avançando para novas áreas sem que ninguém consiga interromper seu caminho.


"Hoje a gente sabe que não está só aqui no município de Oiapoque. Está em outros municípios, em outras terras indígenas. As terras indígenas do Tumucumaque, que ficam em uma região isolada e onde só se chega de avião, também estão acometidas. Então, não tem explicação para que terras indígenas tão distantes sejam acometidas. A gente vive um surto e, até o momento, também não tem algo que vá terminar com isso", afirma a cacica Sônia.


Cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do CCPIO, conta que o alastramento da Vassoura de Bruxa para territórios pouco acessíveis por meios tradicionais, e sem um meio de pará-lo, é a questão mais preocupante deste surto. Foto: Elielson Almeida
Cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do CCPIO, conta que o alastramento da Vassoura de Bruxa para territórios pouco acessíveis por meios tradicionais, e sem um meio de pará-lo, é a questão mais preocupante deste surto. Foto: Elielson Almeida

Até hoje, as lideranças afirmam que não existe uma explicação para a expansão do fungo ou uma solução definitiva para conter seu avanço. Enquanto algumas espécies de mandioca resistem por mais tempo, outras desaparecem rapidamente, obrigando as comunidades a recomeçar sucessivos plantios sem saber se conseguirão colher.


"Hoje a gente vive um surto. Até o momento, a gente não tem algo que diga que vai terminar com isso. A gente sabe que existem manivas mais resistentes, mas também sabe que o fungo é muito mais forte. Então, assim, hoje a gente não tem um antídoto para essa pandemia", afirma.


Muito além da roça


Entre os povos indígenas da região, era durante os mutirões de plantio, colheita e produção da farinha que diferentes gerações passavam horas trabalhando lado a lado, conversando, ensinando, aprendendo e compartilhando histórias.Enquanto uns arrancavam a mandioca, outros raspavam, ralavam, espremiam a massa ou alimentavam o fogo dos fornos. O trabalho era coletivo, mas também era uma forma de passar em frente o conhecimento.


As crianças cresciam observando os mais velhos. Aprendiam a reconhecer o tempo do plantio, a preparar o tucupi, a fazer a farinha, a tratar o peixe e a compreender regras que organizam a vida dentro das comunidades. Muito do que hoje se conhece sobre o território continuava sendo ensinado ali. Para as lideranças indígenas, reduzir a Vassoura de Bruxa a um problema agrícola significa ignorar tudo o que existe em volta da mandioca. 


"Com o impacto da vassoura de bruxa, as pessoas falam muito da insegurança alimentar, da perda da mandioca. Mas não é só isso. São todos os conhecimentos associados a essa prática. É no mutirão de plantar, de arrancar mandioca, de ralar, que a gente ouve as histórias dos antigos. Quando chega a vassoura de bruxa, você interrompe tudo isso", explica Luene.


A mandioca também é a base do caxixi, bebida tradicional do povo Galibi Kali'na, para momentos importantes da vida comunitária. Sem mandioca, esse costume também deixa de ser transmitido.


"A roça vai muito além de produzir alimento. Ela provoca um descompasso cultural, econômico e social. O nosso caxixi é feito de mandioca. Quando o fungo destrói a roça, ele também impede que a gente faça o caxixi. É uma perda cultural", afirma Sônia Jean-Jacque.


Quando a roça deixa de ser suficiente


Em comunidades acostumadas a plantar, colher, ralar, prensar e torrar a própria mandioca, tornou-se cada vez mais comum recorrer à farinha produzida fora do território. A mudança parece pequena para quem olha apenas o prato. Para quem vive nas aldeias, ela representa uma transformação profunda na relação construída com a própria terra.


Ao precisar comprar a farinha, as famílias também passam a depender de dinheiro para adquirir um alimento que sempre produziram. A soberania alimentar passa a ser substituída por uma lógica de mercado que nunca fez parte deste estilo de vida.


Enquanto a ajuda não chega, as comunidades também tentam evitar que desapareçam os saberes ligados ao cultivo. Os mutirões diminuíram, mas continuam acontecendo. As famílias seguem abrindo novas áreas, preparando a terra e ensinando aos mais jovens aquilo que aprenderam com seus pais e avós. Plantar tornou-se também uma forma de resistir.


"A roça vai para além de ter ali o seu alimento diário, que é a farinha. Hoje os povos indígenas do Oiapoque estão necessitando de ajuda. Isso traz um descompasso cultural, econômico e social para os povos indígenas. Porque as roças não são simplesmente uma fonte de alimentação", afirma a cacique Sônia.




 
 

A praga que devasta colheitas no Oiapoque

A Vassoura de Bruxa avança rapidamente pelas roças indígenas, destrói a mandioca e interrompe um ciclo de conhecimento e soberania alimentar.

10 de agosto de 2026

Por Elielson Almeida, jornalista e membro da Pororoka


Por muitos anos, a mandioca ocupou um lugar central na vida dos povos indígenas do Oiapoque. Dela saíam a farinha que alimentava as famílias, o tucupi, a goma, as bebidas tradicionais e parte da renda das comunidades. Era durante os mutirões de plantio, colheita e produção da farinha que histórias e ensinamentos eram repassados.


Nos últimos anos, esse ciclo começou a se romper. Uma doença conhecida como Vassoura de Bruxa se espalhou pelas roças, reduziu drasticamente a produção de mandioca e passou a comprometer muito mais do que a segurança alimentar das aldeias. 


Ao atingir a principal cultura agrícola dos povos indígenas do Oiapoque, o fungo também ameaça práticas culturais, formas de organização comunitária e a transmissão de conhecimentos.


O aumento na incidência da Vassoura de Bruxa nas roças e plantações prejudica a soberania alimentar e o modo de vida das comunidades tradicionais do Oiapoque. Foto: Adilson Lima/Embrapa-AP
O aumento na incidência da Vassoura de Bruxa nas roças e plantações prejudica a soberania alimentar e o modo de vida das comunidades tradicionais do Oiapoque. Foto: Adilson Lima/Embrapa-AP

Como uma doença atravessou as roças


A Vassoura de Bruxa é uma doença provocada por um fungo que ataca a mandioca. Nas plantas contaminadas, os brotos passam a crescer de forma desordenada, formando emaranhados que deram nome à doença. Com o avanço da infecção, as raízes apodrecem, a produção diminui e, em muitos casos, a planta morre antes mesmo da colheita.


O que mais preocupa as comunidades indígenas, porém, não é apenas a capacidade do fungo de destruir uma lavoura, mas também a velocidade com que ele se espalhou. A disseminação levou o Ministério da Agricultura a decretar emergência fitossanitária nos estados do Pará e Amapá e criar um programa nacional para tentar conter o avanço da praga.


O fungo pode ser transportado pelo vento, por ferramentas utilizadas nas roças e, principalmente, por manivas contaminadas, tornando difícil interromper sua circulação entre diferentes áreas de cultivo.


Para quem vive da mandioca, essa combinação entre alta capacidade de disseminação e ausência de uma solução definitiva transformou a Vassoura de Bruxa em uma das maiores ameaças já enfrentadas pelas comunidades da região.


Quando as embarcações voltaram vazias


Durante anos, embarcações cruzaram diariamente os rios levando sacas de farinha produzidas pelas comunidades indígenas. Era um fluxo constante, que ajudava a abastecer o município do Oiapoque e comunidades na costa da Guiana Francesa A atividade movimentava cooperativas de transporte e garantia parte da renda das famílias. Aos poucos, porém, a carga foi diminuindo. Depois, praticamente desapareceu.


Quem acompanhou essa transformação de perto foi o vice-cacique da Aldeia Manga, Geovane Santos. Além de liderança indígena, ele trabalha em uma cooperativa que leva pessoas e produtos. Foi ali, observando o que deixava de embarcar, que Geovane percebeu a dimensão do problema. O dinheiro deixou de circular na mesma intensidade, o trabalho diminuiu e um alimento que sempre simbolizou autonomia passou a escassear justamente onde nunca havia faltado.


O Vice-Cacique Geovane Santos Karipuna, da aldeia Manga, viu os efeitos da Vassoura de Bruxa se espalhando para além das plantações, afetando também o transporte das produções, que ficou cada vez mais escasso. Foto: Elielson Almeida
O Vice-Cacique Geovane Santos Karipuna, da aldeia Manga, viu os efeitos da Vassoura de Bruxa se espalhando para além das plantações, afetando também o transporte das produções, que ficou cada vez mais escasso. Foto: Elielson Almeida

"Antes da Vassoura de Bruxa, a gente transportava mais ou menos 20 sacas de farinha por dia. Hoje não chega uma saca sequer. A gente percebeu essa queda de produção e isso impactou não só o transporte da farinha, mas de outros produtos das comunidades".


Uma ameaça invisível


Segundo as lideranças indígenas, quando a Vassoura de Bruxa começou a atingir as roças do Oiapoque, as comunidades ainda acreditavam que se tratava de um problema localizado. Pouco tempo depois, passaram a ouvir relatos semelhantes vindos de outras aldeias separadas por centenas de quilômetros, algumas acessíveis apenas por avião ou longas viagens de barco. A doença seguia aparecendo em lugares sem qualquer ligação aparente entre si.


Para a cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), essa é justamente a dimensão mais preocupante da crise. A Vassoura de Bruxa avança de forma silenciosa e continua avançando para novas áreas sem que ninguém consiga interromper seu caminho.


"Hoje a gente sabe que não está só aqui no município de Oiapoque. Está em outros municípios, em outras terras indígenas. As terras indígenas do Tumucumaque, que ficam em uma região isolada e onde só se chega de avião, também estão acometidas. Então, não tem explicação para que terras indígenas tão distantes sejam acometidas. A gente vive um surto e, até o momento, também não tem algo que vá terminar com isso", afirma a cacica Sônia.


Cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do CCPIO, conta que o alastramento da Vassoura de Bruxa para territórios pouco acessíveis por meios tradicionais, e sem um meio de pará-lo, é a questão mais preocupante deste surto. Foto: Elielson Almeida
Cacica Sônia Jean-Jacque, coordenadora do CCPIO, conta que o alastramento da Vassoura de Bruxa para territórios pouco acessíveis por meios tradicionais, e sem um meio de pará-lo, é a questão mais preocupante deste surto. Foto: Elielson Almeida

Até hoje, as lideranças afirmam que não existe uma explicação para a expansão do fungo ou uma solução definitiva para conter seu avanço. Enquanto algumas espécies de mandioca resistem por mais tempo, outras desaparecem rapidamente, obrigando as comunidades a recomeçar sucessivos plantios sem saber se conseguirão colher.


"Hoje a gente vive um surto. Até o momento, a gente não tem algo que diga que vai terminar com isso. A gente sabe que existem manivas mais resistentes, mas também sabe que o fungo é muito mais forte. Então, assim, hoje a gente não tem um antídoto para essa pandemia", afirma.


Muito além da roça


Entre os povos indígenas da região, era durante os mutirões de plantio, colheita e produção da farinha que diferentes gerações passavam horas trabalhando lado a lado, conversando, ensinando, aprendendo e compartilhando histórias.Enquanto uns arrancavam a mandioca, outros raspavam, ralavam, espremiam a massa ou alimentavam o fogo dos fornos. O trabalho era coletivo, mas também era uma forma de passar em frente o conhecimento.


As crianças cresciam observando os mais velhos. Aprendiam a reconhecer o tempo do plantio, a preparar o tucupi, a fazer a farinha, a tratar o peixe e a compreender regras que organizam a vida dentro das comunidades. Muito do que hoje se conhece sobre o território continuava sendo ensinado ali. Para as lideranças indígenas, reduzir a Vassoura de Bruxa a um problema agrícola significa ignorar tudo o que existe em volta da mandioca. 


"Com o impacto da vassoura de bruxa, as pessoas falam muito da insegurança alimentar, da perda da mandioca. Mas não é só isso. São todos os conhecimentos associados a essa prática. É no mutirão de plantar, de arrancar mandioca, de ralar, que a gente ouve as histórias dos antigos. Quando chega a vassoura de bruxa, você interrompe tudo isso", explica Luene.


A mandioca também é a base do caxixi, bebida tradicional do povo Galibi Kali'na, para momentos importantes da vida comunitária. Sem mandioca, esse costume também deixa de ser transmitido.


"A roça vai muito além de produzir alimento. Ela provoca um descompasso cultural, econômico e social. O nosso caxixi é feito de mandioca. Quando o fungo destrói a roça, ele também impede que a gente faça o caxixi. É uma perda cultural", afirma Sônia Jean-Jacque.


Quando a roça deixa de ser suficiente


Em comunidades acostumadas a plantar, colher, ralar, prensar e torrar a própria mandioca, tornou-se cada vez mais comum recorrer à farinha produzida fora do território. A mudança parece pequena para quem olha apenas o prato. Para quem vive nas aldeias, ela representa uma transformação profunda na relação construída com a própria terra.


Ao precisar comprar a farinha, as famílias também passam a depender de dinheiro para adquirir um alimento que sempre produziram. A soberania alimentar passa a ser substituída por uma lógica de mercado que nunca fez parte deste estilo de vida.


Enquanto a ajuda não chega, as comunidades também tentam evitar que desapareçam os saberes ligados ao cultivo. Os mutirões diminuíram, mas continuam acontecendo. As famílias seguem abrindo novas áreas, preparando a terra e ensinando aos mais jovens aquilo que aprenderam com seus pais e avós. Plantar tornou-se também uma forma de resistir.


"A roça vai para além de ter ali o seu alimento diário, que é a farinha. Hoje os povos indígenas do Oiapoque estão necessitando de ajuda. Isso traz um descompasso cultural, econômico e social para os povos indígenas. Porque as roças não são simplesmente uma fonte de alimentação", afirma a cacique Sônia.




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