- Lucas Freire
- 6 de ago.
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Por Lucas Freire, jornalista e membro da Pororoka
O jovem Felipe Ranieri é amapaense e, desde cedo, reflete sobre o que separa o centro da periferia de uma região. Há quatro anos morando em Belém, a experiência de viver em um território diferente, mas marcado por desafios e contradições semelhantes aos de seu estado de origem, transformou a forma como compreende essa relação.
“Como amapaense, eu sempre encarava o meu próprio estado como uma periferia e Belém como um centro, nos termos da região norte. Mas agora eu vejo que Belém também possui as suas contradições, e quando compartilhamos essas noções com várias pessoas, todas de locais diferentes, percebemos como nossa região é repleta de contradições que precisam ser compreendidas e resolvidas passo a passo”, afirma.

Felipe é um dos muitos jovens que integraram o Lab.Juventudes, formação realizada pelo Coletivo Pororoka em parceria com o Grupo de Pesquisa Amazônia e o Canto Coworking, realizada durante o mês de julho com encontros virtuais e presenciais com jovens de diferentes partes de Belém e da região metropolitana para discutir a relação entre energia, clima e territorialidade.

Stephan Sampaio, coordenador do Lab.Juventudes, aponta que os encontros agiram para ajudar a potencializar a voz dos participantes e a capacidade deles de agirem em seus territórios.
“Esperamos que, a partir dessa iniciativa de construir e reforçar essa capacidade de expressividade dos participantes do Lab.Juventudes, a gente consiga ver processos que se expandem para além dos projetos que tivemos neste espaço. Esperamos que esse potencial que construímos aqui se torne sementes, que vão poder construir cada vez mais oportunidades de ação dessas pessoas em seus territórios e de construírem intervenções políticas, dentro da sua ação ou fora dela”, comenta Stephan.

Além da troca de experiências, os participantes destacam que a metodologia do Lab.Juventudes foi um dos principais diferenciais da formação. Para o estudante Rubens Antero, o espaço rompeu com a lógica tradicional da sala de aula ao incentivar o diálogo, a participação ativa e a construção coletiva do conhecimento.
“O que eu levo de toda essa experiência é uma perspectiva maior de vivências, de entender por uma perspectiva tanto institucional quanto de uma didática ativa. Foi um processo muito bom, que se diferiu de uma sala de aula, onde ficamos passivos a apenas escutar e receber informações, justamente por incluir nossas vozes no debate, e nos munir de ferramentas teóricas e práticas para falarmos sobre mudanças dentro dos nossos territórios, e permitir que isso possa ir para outros locais além de Belém”, fala.

O encerramento do Lab.Juventudes contou com uma oficina de artivismo, onde os participantes criaram peças retratando o impacto das mudanças climáticas em seus bairros, ruas e comunidades.

“Essa oficina foi o resultado de todos os processos de discussão do Lab. Juventudes. Como conseguimos comunicar e sensibilizar as pessoas nas ruas por meio dessa produção. A ideia foi mostrar metodologias e ferramentas, nesse caso a produção de lambes (cartazes), que esses jovens possam levar e aplicar em seus territórios”, explica Luísa Brasil, artivista do Coletivo Pororoka.
As obras criadas pelos jovens serão todas reunidas e farão parte de uma exposição virtual no Cyber Ateliê da Rede Artivista pela Amazônia. A expectativa é que cada discussão e pensamento gerado durante o Lab se torne uma semente para construir oportunidades de ação e intervenção dos jovens em seus territórios.











